Entrevistada: psicóloga Maria de Fátima Novaes Marinho

1) Porque o apoio psicológico é importante durante a gestação?

R: A chegada de um filho acarreta muitas mudanças na vida de um casal. Aliás, antes mesmo dele nascer , ele já mobiliza uma série de sentimentos, expectativas e sonhos, tanto na futura mamãe como no futuro papai. Quando se trata da gestação do primeiro filho, as mudanças são ainda maiores, pois a mulher se depara com a necessidade de assumir um novo papel em sua vida, o papel de mãe e a família sofre uma grande transformação. O apoio psicológico serve justamente  para ajudar a gestante a lidar melhor com estas mudanças.

2) Quais são as dúvidas mais frequentes durante este período?

R:  Com relação a gestação e ao parto, elas costumam se perguntar se o corpo vai voltar ao normal, se vão continuar sendo desejadas pelo marido, se saberão qual o momento de ir para a maternidade e se o bebê nascerá normal.    No que diz respeito ao futuro bebê, elas sentem medo de não conseguir cuidar bem, de não conseguir entender o que ele quer quando está chorando. Surgem também muitas dúvidas sobre como educar os filhos: Será que colo demais estraga a criança?,  Será que eu vou ser igual a minha mãe?, Será que vou saber educá-lo?

3) Que tipo de atendimento psicológico é realizado com as gestantes?

R: É um trabalho preventivo que visa preparar melhor a mulher para este momento tão importante que é a maternidade ( o tornar-se mãe).

Abordam-se temas como: as mudanças corporais, a sexualidade durante a gravidez, as expectativas  e receios em relação ao parto, as expectativas e ansiedades em relação ao papel de mãe.

Para trabalhar estes temas utilizo psicodrama, o que possibilita que as gestantes experimentem as situações temidas  em um contexto seguro em que podem exercitar a criatividade  e espontaneidade. Além disto, utilizo argila , desenhos e relaxamento corporal . E de acordo com a necessidade transmito informações objetivas sobre o assunto.

4) O atendimento é realizado em grupo ou individualmente?

    R: Normalmente em grupo,  pois desta forma o trabalho se torna mais dinâmico  devido a troca de experiências que ocorre entre as gestantes. Elas descobrem que suas dúvidas e inquietações são muito semelhantes e próprias da etapa que estão vivenciando. Muitas vezes, quando uma das gestantes está com dúvida e está com vergonha de se colocar, uma outra  acaba fazendo a pergunta por ela. Entretanto, existem gestantes que optam por realizar o trabalho individualmente por questões de disponibilidade de horário.  Esta opção também oferece suas vantagens como  o de possibilitar um atendimento mais personalizado.

Tanto no atendimento em grupo como no atendimento individual, o companheiro da gestante pode ser incluído de modo a participar de alguns encontros, como aqueles que abordam a transformação da família, as responsabilidades advindas da paternidade e maternidade, o modo de educar filhos  e a sexualidade do casal.

5) Qual a duração deste tipo de trabalho.

R Eu costumo trabalhar com doze encontros semanais com duas horas de duração cada.

6)  Em que momento da gestação deve ser realizado?

R: É melhor que seja realizado entre o terceiro e sétimo mês de gravidez, já que  durante os três primeiros meses o risco de aborto é maior  e  após o sétimo mês pode ocorrer um parto prematuro   que a impeça de continuar o trabalho preventivo.

7) O grupo é indicado para todas as gestantes?

R: Não. Por isto eu realizo uma entrevista individual com cada gestante para ver se é o caso de indicá-la para grupo ou não.  Nesta entrevista procuro conhecer os motivos pelo qual estou sendo procurada  e também   pesquiso como está indo o pré-natal e que lugar esta gravidez ocupa em sua vida.  Com base nisto eu e a gestante refletimos e decidimos sobre o melhor caminho: grupo psicoprofilático de gestante, orientação psicoprofilática individual ou do casal, psicoterapia individual  ou até mesmo um psicoterapia de casal.

7)  Mulheres que já tiveram seus filhos e apresentam dificuldades em relação à maternidade podem participar deste grupo?

R: Não, mas podem participar de um grupo de mães, que é destinado justamente a quem já está vivenciando a experiência de ser mãe.

8)  Este trabalho serve para impedir que a mulher sofra de depressão pós parto?

R:. O trabalho psicoprofilático auxilia a mulher a se preparar emocionalmente para as responsabilidades e exigências impostas pela maternidade e deste modo  ajuda a prevenir uma depressão pós-parto, mas não elimina por completo a possibilidade de sua ocorrência, pois ela decorre de muitos fatores.

Maria de Fátima Novaes Marinho Psicóloga, especialização em Psicodrama, mestre em psicologia clínica.

Entrevista publicada na Revista Qualys