UM DOS DILEMAS ATUAIS DA MULHER: conciliar o papel de mãe e profissional.

cena 1 – uma mãe volta do trabalho na hora do almoço para colocar a filha na perua escolar, até que esta se adapte ao transporte escolar.
cena 2 – no meio de uma reunião, uma executiva recebe a ligação de sua empregada dizendo que a filha não quer ir para a escola e ela não sabe mais o que fazer. Apesar de estar no trabalho, ela orienta rapidamente a empregada e consegue que esta resolva a situação.

Essas cenas têm sido frequentes no cotidiano da mulher contemporânea e revelam como os limites entre o papel profissional e o de mãe podem ser tênues. As mulheres se desdobram para atender a inúmeras solicitações e muitas vezes se sentem sobrecarregadas e atordoadas. Em alguns casos, chegam ao estresse e/ou depressão.

Desde que a mulher começou a entrar no mercado de trabalho, mudanças graduais ocorreram na organização das famílias. Muitos homens passaram a participar mais da educação dos filhos e das tarefas domésticas, mas ainda assim presenciamos uma sobrecarga da mulher.

As solicitações no mundo moderno são cada vez maiores e isto também se reflete na maternidade. Todos os dias somos bombardeados por inúmeras informações sobre quais devem ser as melhores condutas para uma mãe; qual a melhor formação para nossos filhos; como escolher a melhor escola, etc. Só que não dá para ser mãe seguindo um manual, nem que seja um manual de psicologia. Essas informações podem ser úteis se não as tomarmos como modelos a seguir rigidamente e sim como uma base para refletirmos e vermos o que nos serve ou não e qual caminho queremos seguir. Não podemos esquecer que cada mãe precisa descobrir o seu próprio jeito de desempenhar esse papel.

Tenho me deparado com mulheres que se cobram muito e se sentem culpadas o tempo todo. Elas executam inúmeras tarefas; levam os filhos na escola e ao médico, trabalham, decidem o que fazer para o jantar, compram o que a professora pediu para o dia seguinte e ainda assim se sentem culpadas quando se esquecem de algo ou estão sem tempo para dar atenção ao filho. O alto grau de exigência faz com que não percebam o valor do que fazem e enxerguem com uma espécie de lupa aquilo que deixaram de fazer. Também percebem qualquer dificuldade dos filhos como decorrente de alguma falha sua. Essas mulheres normalmente sofrem mais por manterem uma imagem idealizada do papel de mãe.

Conciliar diversas atividades e solicitações é um desafio constante do nosso tempo e no caso da mulher mais ainda. Muitas vezes é necessário improvisar, fazer o que é possível. Nas cenas descritas acima, as mães tiveram que improvisar e conseguiram encontrar soluções satisfatórias para conciliar as solicitações do trabalho e da maternidade.

Embora o cérebro feminino tenha mais capacidade para lidar com várias situações ao mesmo tempo do que o do homem, é importante lembrar que isso também tem um limite.

Algumas perguntas para refletir:

- você consegue respeitar seus limites físicos e psicológicos?
- o que você faz quando percebe que o cansaço está grande? Consegue buscar alguma atividade para se recarregar?
- tem conseguido reservar um tempo para si?
- divide tarefas com o companheiro ou filhos? Se divide, a forma como faz isso está satisfatória?
- conversa com o companheiro e filhos sobre as divisão de tarefas?
- você frequentemente se culpa por achar que deveria ter feito melhor?

Parabéns a todas as mulheres!
DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

 

Comentários de leitores:
2 Respostas para Conflitos do cotidiano

Monica diz:
8 de março de 2014 at 1:06 (Edit)

Sobre as perguntas acima a refletir…
1. nem sempre respeito meus limites físicos e psicológicos.
2. quando percebo que o cansaço está grande, é quando sinto o stress surgir e a irritabilidade aumenta.
A partir destes sinais, tento arrumar tempo para dormir, tomar um banho, ficar sozinha. Se o estresse é grande,
dá vontade de chorar mesmo e não consigo. As atividades para recarregar são caminhadas, missa, algum lazer,
poucas pessoas.
3. esporadicamente reservo um tempo só para mim.
4. sim, divido tarefas com companheiros e filhos. A divisão poderia ser melhor, da parte do filho.
Parece que não percebemos o crescimento deles e continuamos fazendo muitas coisas que eles poderiam fazer sozinhos.
De vez em quando enxergo isso e digo: “você cresceu, agora você pode fazer sozinho” ofereço apoio e fico por perto.
5. Sim, converso com companheiro e filho sobre divisão de tarefas.
6. Sim, com alguma frequencia me culpo por achar que deveria ter feito melhor. Embora outras vezes me surpreendo
com os “bons resultados” observados pelo comportamento e atitude do filho. Daí fico feliz! além da culpa…

Abraço grande Fátima! ótimo texto, muito atual.
Responder
Rosane Landmann diz:
8 de março de 2014 at 21:58 (Edit)

Querida
Adorei o texto,
Saudades.
Beijos
Ro.